Transtorno Obsessivo Compulsivo

     Uma doença mental relativamente comum, que acomete cerca de 2% das pessoas (4 milhões de brasileiros) é o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Afeta principalmente os jovens, sendo pouco comum seu surgimento após os 40 anos de idade, e, se não tratada, há uma tendência de cronificação, podendo se agravar com o passar dos anos. Muitas vezes, incapacita o doente para o trabalho e traz problemas de convivência com amigos e com a própria família. Seus sintomas são bem claros, porém o diagnóstico não é tão simples. Um paradoxo? Não exatamente.
     Nossa vida é repleta de medos, preocupações e incertezas. Por exemplo, ficamos impacientes quando suspeitamos que a porta da casa ou do carro está destrancada; a ansiedade chega quando está próximo o dia do recebimento do nosso salário. “Será que vão descontar tal coisa?” – pensamos; não sossegamos enquanto não lavamos as mãos após usar o banheiro; geralmente não gostamos do excesso de bagunça. Enfim, tudo isso é normal, desde que tenham limites.
     Uma pessoa afetada pelo TOC terá esses mesmos comportamentos, porém, de forma exagerada. Lavará as mãos inúmeras vezes em pouco tempo; irá ao banco “tirar” vários extratos em um só dia; conferirá a todo momento se a porta está realmente trancada; ficará incomodada se um livro desalinhar levemente na estante ou se a toalha da mesa estiver meio centímetro desviada para a esquerda.
     Vale destacar que esse transtorno causa muito sofrimento ao doente. Ele se sente, muitas vezes, envergonhado, rejeitado e incapaz de superar o problema. Abaixa sua auto-estima e é dominado por um sentimento de culpa. As conseqüências são tantas, que não raramente, levam-no à depressão.
     Tentaremos entender um pouco mais sobre o TOC:

O QUE É?
     O TOC é classificado pela Associação Psiquiátrica Americana como um transtorno de ansiedade, assim como as fobias e a Síndrome do Pânico.

CAUSA
     Ainda não se sabe com certeza. Provavelmente, é derivado de fatores biológicos, psicológicos e, até mesmo, culturais.
Fatores biológicos: genéticos e hereditários; lesões cerebrais; distúrbios neuroquímicos.
Fatores psicológicos: estresse psicológico; conflitos psíquicos; distorções cognitivas (supervalorização de pensamentos, perfeccionismo, superestimação de suas responsabilidades). Os rituais diminuem (neutralizam) a aflição e o medo causado pelas obsessões do doente, sendo o motivo de repeti-los.
Fatores culturais: tipo de educação (mais ou menos severa); nível cultural familiar.

SINTOMAS
     Caracterizado por obsessões e/ou compulsões.
     Obsessão é uma alteração do pensamento e das emoções (medo, dúvida, culpa, idéias estranhas, depressão, entre outras).
     Compulsão é uma alteração do comportamento, geralmente em resposta à obsessão (evitar ou repetir um ritual).
Exemplos:

DIAGNÓSTICO
     Como já foi dito, não basta apresentar alguns sintomas para ser classificado como um “obsessivo compulsivo”. Muitas variáveis são levadas em consideração, como a personalidade de cada indivíduo. Além disso, é analisado se os sintomas trazem ou não prejuízos e sofrimento para o paciente e para as pessoas próximas a ele.
     Um exemplo:
     Determinada pessoa tem “mania” de olhar embaixo da cama antes de dormir, o que não causa dor ou incômodo a ninguém (nem a ela mesma). Portanto, não há necessidade de maiores cuidados.
     É importante dizer que o diagnóstico deve ser realizado o mais breve possível, por profissionais qualificados, como psiquiatras, psicólogos ou psicanalistas, que escolherão o tratamento mais adequado.

TRATAMENTO
     De alguns anos para cá, surgiram tratamentos eficientes para a maioria dos casos, capazes de diminuir drasticamente os sintomas e, em alguns casos, eliminá-los.
     Os dois principais métodos utilizados são: medicamentos e/ou psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental).
     Os medicamentos utilizados são antidepressivos, geralmente em doses mais elevadas do que no tratamento da depressão. Possuem um efeito antiobsessivo, lento e gradual. *Obs: não abandone (e muito menos, inicie) o tratamento sem o conhecimento do seu médico. Tome a dose correta do medicamento e no horário recomendado. Caso as reações adversas sejam severas, o médico deverá ser consultado.
     A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é realizada por profissionais habilitados. Simplificadamente, o paciente é exposto aos seus medos, tendo que enfrentá-los. Com a repetição do exercício, ocorre uma habituação e os sintomas regridem.
Exemplo: Um paciente, por medo de se contaminar, não se aproxima do celular.
Esse objeto é colocado diante dele. O terapeuta vai convencê-lo a enfrentar o medo e utilizar o aparelho, sem a higienização das mãos em seguida. Com o tempo e com a repetição dessa atividade, o desespero e o incômodo passam, deixando a pessoa livre do sintoma.
      Para quem deseja um estudo mais detalhado sobre o tema, indico este site:

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referências:

http://www.astoc.org.br/html2/texto.asp?idsecao=5
http://www.ufrgs.br/toc/oque_toc.htm